domingo, 11 de janeiro de 2026

A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL


            Há épocas que a sintonia é tão estreita entre a política e a História que tanto faz escrever sobre as perspectivas ou deixá-las acontecer, que os resultados sabidos serão os mesmos. Por isso não é preciso levantar considerações como: se vai haver a Terceira Guerra Mundial, porque ela já está acontecendo, ou se os Estados Unidos perderão a hegemonia do poder mundial, porque já perdeu.

            Para quem gosta de comparações, no início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, o mundo era divido e comandado por quatro poderes: Alemão, Austro-húngaro, Russo e Otomano. No final, ganharam a Guerra: a Inglaterra, a França e a Itália, com apoio dos Estados Unidos da América. A Alemanha foi responsabilizada pela guerra e obrigada a pagar os prejuízos.

            Embora as disputas entre as potências estivessem presas às questões econômicas e comerciais, o estopim foi um tiro disparado por um estudante sérvio, Gavrilo Princip, pertencente a um grupo armado, “Mão negra”, contra o herdeiro do trono austro-húngaro, Francisco Ferdinando. A reação contra a Sérvia fez a Europa juntar as forças, com exceção da Alemanha, que já disputava com a Inglaterra os mercados mundiais.  

            A segunda Guerra Mundial iniciou com a invasão da Polônia pela Alemanha. O motivo foi o Incidente de Gleiwitz, cidade na época em território alemão. Fardados com uniformes do Exército polonês, um grupo de alemães tomou a estação de rádio e divulgou uma mensagem de xingamento contra a Alemanha e mataram um fazendeiro, Franz Honiok, simpatizante da causa alemã, o vestiram também com o uniforme militar polonês e o apresentaram à imprensa como um invasor. Esse e outros pequenos motivos, forjados deram a Hitler os motivos para invadir a Polônia.

            A terceira Guerra Mundial, pode ter sido simbolicamente iniciada, em 3 de janeiro de 2026 com o sequestro e a extradição ilegal do presidente da Venezuela Nicolás Maduro. O motivo foram as falsas denúncias do Presidente chefiar o Cartel de Los Soles, organizado para levar drogas para os Estados Unidos. Para efetuar essa façanha o governo dos Estados Unidos, deslocaram o maior navio de guerra, USS Gerald R. Ford (CVN-78), com 333 metros de comprimento para bombardear pequenas embarcações de pescadores, acusados de transportarem drogas pelo Mar do Caribe.

Na verdade, a Segunda Guerra Mundial, o objetivo era criar o corredor polonês para chegar ao Mar Báltico e iniciar a expansão do império alemão para o Leste da Europa, o que obrigou a Inglaterra e a França a declarem guerra a Alemanha. Ao terminar a Guerra, o mundo ficou dividido basicamente entre, Ocidente e Oriente. Os países do primeiro, vigiados e articulados pelos Estados Unidos e, o segundo, em grande medida, articulado pela União Soviética. Esse período de bipolaridade, sobreviveu de 1945-1991, quando, houve a derrocada das repúblicas soviéticas e, aparentemente o mundo teria se configurado com um poder unipolar, dominado pelo imperialismo norte-americano.

            Mas uma guerra, embora termine com vencedores e vencidos, não congela a política nem a história, por isso o poder sofre variações locais e universais. O capitalismo tem essa virtude de formar novas circunstâncias a cada instante. A confiança na unipolaridade causou um grande mal para o imperialismo norte-americano. Julgando-se senhor do universo, criou pelo menos 800 bases militares no mundo, as quais foram toleradas pelos países que militarmente não queriam briga.

            Mas a política não se faz o tempo inteiro usando armas; qualquer ofensiva militar prolongada chega a um ponto que esgota. Aos poucos, como as águas nas cheias dos remansos, mesmo com a unipolaridade, as articulações políticas foram se modificando e o mundo configurou a divisão entre o Norte e o Sul Global. A Globalização que incialmente teria salvado o capitalismo da crise mundial por meio do neoliberalismo, permitiu ao capital ir a todos os lugares. No entanto, essa liberdade de mercado e investimento passou a valer para todos os países, inclusive aqueles situados nos continentes mais pobres. Quando se imaginava que a Ásia seria dominada pelos “tigres asiáticos”, mais propriamente, o Japão e a Coreia do Sul, a China, silenciosamente, com toda a tranquilidade, fortaleceu-se com a tecnologia estrangeira e saiu para relacionar-se os países formando com eles a temerosa Nova Rota da Seda, deixando, justamente o “dono do mundo” com usa unipolaridade de fora.

            Esse movimento da unidade e luta dos contrários em disputas nos mesmos territórios, criado pela globalização, assemelha-se a um jogo de futebol, quando os times estão em campo unidos para realizarem a partida, no entanto, um quer derrotar o outro. Confiante nas armas, os Estados Unidos fracassaram na tecnologia industrial e começaram a sofrer perdas na indústria e no mercado mundial, com isso, surgiram novas articulações políticas que ameaçam romper com o dólar e com as instituições financeiras internacionais, substituindo-as pelo Banco dos Brics. Desesperados e sem poder disparar um tiro no coração do inimigo, justamente por ele estar em muitos lugares ao mesmo tempo, criado pela globalização, os Estados Unidos, com a desculpa do tráfico de droga, sequestraram o presidente Nicolás Maduro e iniciaram a Terceira Guerra Mundial, cuja pretensão é fazer uma nova divisão do mundo, garantindo que a América seja dos americanos.

            Ao sentir que o mundo comercialmente foi se dividindo por regiões e por potencial mineral e energético, o império que antes precipitava-se contra qualquer alvo para vender armas, deu-se conta que os inimigos estão invadindo o seu quintal e explorando as riquezas minerais responsáveis pela sustentação das disputas tecnológicas do futuro. Ao se dar conta que um míssil jogado sobre o Irã é insignificante, contra um porto marítimo construído pela China no Peru que ligará, por ferrovias, o atlântico ao pacífico, passando pela Amazônia brasileira. Ou que, 80% do petróleo venezuelano estava sendo exportado para a China, quando poderia servir à economia norte-americana, declarou a guerra sequestrando o presidente Nicolás Maduro e estabeleceu um cerco à Venezuela, atacando todo e qualquer navio de qualquer país que ouse transportar petróleo pela via marítima.

Por tanto, como as duas guerras mundiais anteriores duraram em média 5 anos, esta nova situação de conflito pode ser mais curta ou mais longa, depende de como as outras potências se comportam diante dessa proposta de divisão do mundo. Como ninguém virá imediatamente para disputar a América (nem a China e nem a Rússia reagiram militarmente contra a apreensão do seu petróleo saído da Venezuela), as riquezas naturais estarão sujeitas à exploração do império, mas isso não será suficiente para recuperar a hegemonia política e econômica mundial. A china já é a maior economia do mundo e, tecnicamente está mais bem qualificada para inundar os mercados com mercadorias de valor competitivo favoráveis. Mas outras duas vantagens beneficiam a China: a primeira é de ser um grande mercado consumidor com perspectiva de crescer continuamente e, todos os países terão interesse em comercializar com ela os seus produtos; a segunda, além de estar se tornando, tem a Rússia como retaguarda militar e isso inspira cuidado do império ianque.

As bravatas de tentar intervir na guerra entre a Rússia e a Ucrânia ou de iniciar um conflito bancando a independência de Taiwan da China, ou mesmo a compra da ilha da Groelândia, poderão vir a se transformar em fatos reais vantajosos para os Estados Unidos, no entanto, colocaria esse império contra o mundo e tornaria essa causa expansionista externamente insustentável, como também internamente, a população norte-americana já reage contra a essa estratégia fracassada. A tendência é o recolhimento para garantir o que sobrou.

De outro lado, embora as forças sociais latino-americanas estejam apáticas, não haverá alternativa, a não ser uma reação conjunta entre todos os países para prejudicar a presença ianque em nossos territórios. As mesmas medidas tomadas lá, devem ser pressionadas para serem tomadas aqui, seja na expulsão de seus imigrantes e empresas de capital norte-americana; o impedimento do funcionamento dos consulados e, principalmente, livrar-se das matrizes tecnológicas dos Estados Unidos. Portanto, a guerra deverá ser temporária e sem uso de bombas atômicas, mas a revolução terá de ser de natureza permanente. Pela solidariedade e o levante coletivo dos povos, deve ser a nossa linha de resistência.

                                                                       Ademar Bogo

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