Há épocas que a sintonia é tão estreita entre a política
e a História que tanto faz escrever sobre as perspectivas ou deixá-las
acontecer, que os resultados sabidos serão os mesmos. Por isso não é preciso levantar
considerações como: se vai haver a Terceira Guerra Mundial, porque ela já está
acontecendo, ou se os Estados Unidos perderão a hegemonia do poder mundial,
porque já perdeu.
Para quem gosta de comparações, no início da Primeira
Guerra Mundial, em 1914, o mundo era divido e comandado por quatro poderes:
Alemão, Austro-húngaro, Russo e Otomano. No final, ganharam a Guerra: a Inglaterra,
a França e a Itália, com apoio dos Estados Unidos da América. A Alemanha foi
responsabilizada pela guerra e obrigada a pagar os prejuízos.
Embora as disputas entre as potências estivessem presas
às questões econômicas e comerciais, o estopim foi um tiro disparado por um
estudante sérvio, Gavrilo Princip, pertencente a um grupo armado, “Mão negra”,
contra o herdeiro do trono austro-húngaro, Francisco Ferdinando. A reação
contra a Sérvia fez a Europa juntar as forças, com exceção da Alemanha, que já
disputava com a Inglaterra os mercados mundiais.
A segunda Guerra Mundial iniciou com a invasão da Polônia
pela Alemanha. O motivo foi o Incidente de Gleiwitz, cidade na época em
território alemão. Fardados com uniformes do Exército polonês, um grupo de
alemães tomou a estação de rádio e divulgou uma mensagem de xingamento contra a
Alemanha e mataram um fazendeiro, Franz Honiok, simpatizante da causa alemã, o
vestiram também com o uniforme militar polonês e o apresentaram à imprensa como
um invasor. Esse e outros pequenos motivos, forjados deram a Hitler os motivos
para invadir a Polônia.
A terceira Guerra Mundial, pode ter sido simbolicamente iniciada,
em 3 de janeiro de 2026 com o sequestro e a extradição ilegal do presidente da
Venezuela Nicolás Maduro. O motivo foram as falsas denúncias do Presidente chefiar
o Cartel de Los Soles, organizado para levar drogas para os Estados Unidos.
Para efetuar essa façanha o governo dos Estados Unidos, deslocaram o maior
navio de guerra, USS Gerald R. Ford (CVN-78), com 333 metros de
comprimento para bombardear pequenas embarcações de pescadores, acusados de
transportarem drogas pelo Mar do Caribe.
Na
verdade, a Segunda Guerra Mundial, o objetivo era criar o corredor polonês para
chegar ao Mar Báltico e iniciar a expansão do império alemão para o Leste da
Europa, o que obrigou a Inglaterra e a França a declarem guerra a Alemanha. Ao
terminar a Guerra, o mundo ficou dividido basicamente entre, Ocidente e
Oriente. Os países do primeiro, vigiados e articulados pelos Estados Unidos e, o
segundo, em grande medida, articulado pela União Soviética. Esse período de
bipolaridade, sobreviveu de 1945-1991, quando, houve a derrocada das repúblicas
soviéticas e, aparentemente o mundo teria se configurado com um poder unipolar,
dominado pelo imperialismo norte-americano.
Mas uma guerra, embora termine com vencedores e vencidos,
não congela a política nem a história, por isso o poder sofre variações locais
e universais. O capitalismo tem essa virtude de formar novas circunstâncias a
cada instante. A confiança na unipolaridade causou um grande mal para o
imperialismo norte-americano. Julgando-se senhor do universo, criou pelo menos
800 bases militares no mundo, as quais foram toleradas pelos países que
militarmente não queriam briga.
Mas a política não se faz o tempo inteiro usando armas; qualquer
ofensiva militar prolongada chega a um ponto que esgota. Aos poucos, como as
águas nas cheias dos remansos, mesmo com a unipolaridade, as articulações políticas
foram se modificando e o mundo configurou a divisão entre o Norte e o Sul
Global. A Globalização que incialmente teria salvado o capitalismo da crise
mundial por meio do neoliberalismo, permitiu ao capital ir a todos os lugares.
No entanto, essa liberdade de mercado e investimento passou a valer para todos
os países, inclusive aqueles situados nos continentes mais pobres. Quando se
imaginava que a Ásia seria dominada pelos “tigres asiáticos”, mais
propriamente, o Japão e a Coreia do Sul, a China, silenciosamente, com toda a
tranquilidade, fortaleceu-se com a tecnologia estrangeira e saiu para
relacionar-se os países formando com eles a temerosa Nova Rota da Seda,
deixando, justamente o “dono do mundo” com usa unipolaridade de fora.
Esse movimento da unidade e luta dos contrários em disputas
nos mesmos territórios, criado pela globalização, assemelha-se a um jogo de futebol,
quando os times estão em campo unidos para realizarem a partida, no entanto, um
quer derrotar o outro. Confiante nas armas, os Estados Unidos fracassaram na tecnologia
industrial e começaram a sofrer perdas na indústria e no mercado mundial, com
isso, surgiram novas articulações políticas que ameaçam romper com o dólar e com
as instituições financeiras internacionais, substituindo-as pelo Banco dos
Brics. Desesperados e sem poder disparar um tiro no coração do inimigo,
justamente por ele estar em muitos lugares ao mesmo tempo, criado pela
globalização, os Estados Unidos, com a desculpa do tráfico de droga, sequestraram
o presidente Nicolás Maduro e iniciaram a Terceira Guerra Mundial, cuja pretensão
é fazer uma nova divisão do mundo, garantindo que a América seja dos
americanos.
Ao sentir que o mundo comercialmente foi se dividindo por
regiões e por potencial mineral e energético, o império que antes
precipitava-se contra qualquer alvo para vender armas, deu-se conta que os
inimigos estão invadindo o seu quintal e explorando as riquezas minerais
responsáveis pela sustentação das disputas tecnológicas do futuro. Ao se dar
conta que um míssil jogado sobre o Irã é insignificante, contra um porto
marítimo construído pela China no Peru que ligará, por ferrovias, o atlântico
ao pacífico, passando pela Amazônia brasileira. Ou que, 80% do petróleo
venezuelano estava sendo exportado para a China, quando poderia servir à
economia norte-americana, declarou a guerra sequestrando o presidente Nicolás
Maduro e estabeleceu um cerco à Venezuela, atacando todo e qualquer navio de
qualquer país que ouse transportar petróleo pela via marítima.
Por
tanto, como as duas guerras mundiais anteriores duraram em média 5 anos, esta
nova situação de conflito pode ser mais curta ou mais longa, depende de como as
outras potências se comportam diante dessa proposta de divisão do mundo. Como
ninguém virá imediatamente para disputar a América (nem a China e nem a Rússia
reagiram militarmente contra a apreensão do seu petróleo saído da Venezuela), as
riquezas naturais estarão sujeitas à exploração do império, mas isso não será
suficiente para recuperar a hegemonia política e econômica mundial. A china já
é a maior economia do mundo e, tecnicamente está mais bem qualificada para
inundar os mercados com mercadorias de valor competitivo favoráveis. Mas outras
duas vantagens beneficiam a China: a primeira é de ser um grande mercado
consumidor com perspectiva de crescer continuamente e, todos os países terão
interesse em comercializar com ela os seus produtos; a segunda, além de estar
se tornando, tem a Rússia como retaguarda militar e isso inspira cuidado do
império ianque.
As
bravatas de tentar intervir na guerra entre a Rússia e a Ucrânia ou de iniciar
um conflito bancando a independência de Taiwan da China, ou mesmo a compra da
ilha da Groelândia, poderão vir a se transformar em fatos reais vantajosos para
os Estados Unidos, no entanto, colocaria esse império contra o mundo e tornaria
essa causa expansionista externamente insustentável, como também internamente,
a população norte-americana já reage contra a essa estratégia fracassada. A
tendência é o recolhimento para garantir o que sobrou.
De
outro lado, embora as forças sociais latino-americanas estejam apáticas, não
haverá alternativa, a não ser uma reação conjunta entre todos os países para
prejudicar a presença ianque em nossos territórios. As mesmas medidas tomadas
lá, devem ser pressionadas para serem tomadas aqui, seja na expulsão de seus
imigrantes e empresas de capital norte-americana; o impedimento do
funcionamento dos consulados e, principalmente, livrar-se das matrizes tecnológicas
dos Estados Unidos. Portanto, a guerra deverá ser temporária e sem uso de bombas
atômicas, mas a revolução terá de ser de natureza permanente. Pela
solidariedade e o levante coletivo dos povos, deve ser a nossa linha de
resistência.
Ademar
Bogo
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