Nos
últimos tempos duas palavras ganharam destaque na estratégia política do
imperialismo: terrorismo e barbárie. Se a primeira se define pelo uso da
violência e do amedrontamento, a segunda acompanha com o estabelecimento do
caos, por meio do negacionismo, agora das leis e da ordem institucional, local
e mundial.
O
filósofo István Mészáros foi um dos últimos filósofos deste século, a tratar
com seriedade a barbárie, atribuída à estratégia universal do imperialismo dos
Estados Unidos. Para ele, a lógica do capital é absolutamente inseparável do
imperativo da dominação do mais fraco pelo mais forte. “Mesmo quando se pensa
no que geralmente se considera o constituinte mais positivo do sistema, a competição
que leva à expansão e ao progresso, seu companheiro inseparável é o impulso
para o monopólio e a subjugação e a exterminação dos competidores que se
colocam como obstáculos ao monopólio que se afirma”.[1]
A
título de esclarecimento, o primeiro estudo de fôlego sobre o imperialismo foi
publicado pelo inglês John Atkinson Hobson em 1902. Esse autor tomou como
referência a Inglaterra e associou a explosão expansionista do capital a partir
de 1870 com o desenvolvimento econômico do capitalismo. O que presenciamos cem
anos depois, em 1970, com a substituição daquele nome por “globalização”, com
as mesmas características, porém com direcionamentos ideológicos neoliberais
diferenciados, que podemos agora afirmar ter ele passado para a segunda e
talvez última fase. A primeira, quando se buscou estabelecer diretrizes
jurídicas para abrir as fronteiras ao capital e privatizar os investimentos
públicos mais rentáveis e, a segunda, mais atual, é esta de que as leis
perderam a importância pela supremacia da força militar.
Este
segundo movimento adotado pelo imperialismo dos Estados Unidos, se deve a dois
fatores: o primeiro, aproveitando-se das possibilidades de expansão de seus
negócios, todos os países estabeleceram os seus vínculos cooperando ou
explorando-se mutuamente, no entanto, na medida que essas relações passaram a
ser coordenadas pela surpreendente capacidade econômica e tecnológica da China,
os diversos monopólios entraram em disputa e, o outro, tendo em vista os
diferentes matizes do neoliberalismo, como é o caso do neodesenvolvimentismo ou
mesmo algumas iniciativas de teor nacionalista, parcelas do patrimônio público,
rentáveis, não foram privatizas e, algumas, para citar um caso, foram
reestatizados como aconteceu com o petróleo na Venezuela, a partir de 1992.
Por
outro lado, se entramos na segunda fase do neoliberalismo, não saímos nenhum
milímetro fora do domínio imperialista; porém, com certeza, como intuiu Lenin
no início de 1916, quando publicou o livro: Imperialismo: fase superior do
capitalismo, pode ser o último degrau na subida da dominação do capital.
Portanto, essas obras acima citadas, são leituras obrigatórias para quem
pretende entender a intolerância e a imposição da barbárie, pelas atitudes
violentas e destrutivas dos Estados Unidos.
Muito
já foi dito sobre a decadência econômica dos Estados Unidos e a perda de dois
lugares fundamentais: o primeiro de já não ser mais a maior economia do mundo,
atualmente este lugar pertence à china e, o segundo, também de não possuir a
hegemonia política do planeta. O que o império tem e com muito mais destaque do
que qualquer outro país, é o domínio da tecnologia militar. Essa dianteira se
deve aos robustos e contínuos investimentos na Indústria militar que, em 2024,
chegou a um trilhão de dólares. Isso permite desenvolverem ações, atentados,
sequestros e transmitirem ao vivo para as autoridades em Washington, como
aconteceu com o presidente da Venezuela em 03 de janeiro de 2026. Ação
semelhante já havia sido realizada na prisão e morte de Osama Bin Laden, em
2011 no Afeganistão.
No
entanto, apesar de toda a tecnologia bélica e possuir 800 bases militares
distribuídas pelo mundo, o controle do poder do império foge pelos vãos dos
dedos. Somente com o uso do terror e da barbárie está conseguindo tomar alguns
pontos e reaver algumas reservas importantes de minérios e petróleo para, por
meio da ilegalidade e do roubo, tentar recuperar a hegemonia econômica no mundo,
mas esta já é uma causa perdida. É provável que, com esse poderio bélico e,
desrespeitando todas as leis internacionais, a estratégia seja de ignorar os
países e acampar para tomar à força os locais específicos dentro dos
territórios que preservam as riquezas naturais e administrá-los como se fossem pequenas
ilhas anexadas aos Estados Unidos.
Como
não existe movimento sem contradição, três delas estão se encaminhando para
enfrentar e promover as derrotas ao imperialismo: primeira, a população dos
Estados Unidos começa a dar sinais de que desaprova a política intervencionista
e expansionista do governo daquele país; segunda, as movimentações regionais de
reações contra as pretensões norte-americanas, como está ocorrendo com a Europa
em relação à Groelândia, deslocando tropas para proteger a ilha e, terceira, a
mobilização popular e a resistência interna tornando o elevado poder militar
inútil. Temos, nesta última, três referências vitoriosas em andamento: a) a
Palestina; b) a Venezuela e, c) o Irã. Os mísseis e os drones teleguiados, nada
podem contra o levante das multidões. Portanto, a tendência aponta para as
belíssimas insurreições populares, é preciso pensar o destino político dos
resultados.
Para
as consciências críticas que prezam pela autodeterminação dos povos, chegou a
hora de fazer valer o conhecido chamado de Florestan Fernandes: “Contra a
intolerância dos ricos, a intransigência dos pobres”. As ações locais,
continentais e mundiais devem ser constantes, conscientes e unitárias, bem como
destacou Marx: “A arma da crítica não pode, é claro, substituir a crítica da
arma, o poder material tem de ser derrubado pelo poder material, mas a teoria
também se torna força material quando se apodera das massas”.[2] Mobilizados e organizados, teremos a força e
também as armas.
Ademar
Bogo
Nenhum comentário:
Postar um comentário