Que estamos vivendo um período de
profunda decadência do imperialismo liberal, no modelo originário do
colonialismo europeu e do militarismo dos Estados Unidos da América, já não se
pode duvidar. A sustentação dos princípios republicanos postos pelos
capitalistas logo após a Revolução Francesa, já não é um objetivo a ser
preservado pela especulação, assim como a crença que as democracias podem
funcionar simplesmente porque a votante da maioria encontrou um candidato
adequado, é uma ingenuidade que somente as forças progressistas ou oriundas da
velha referência de esquerda acreditam. Para as forças dominantes valem os
interesses e, quando precisam ser impostos violentamente, o totalitarismo jeito
utilizado a qualquer tempo e sob qualquer regime.
Por outro lado, estamos presenciando
outros movimentos devastadores que são nomeados como fenômenos climáticos e
abalos sísmicos, estes também conhecidos como terremotos. Aparentemente são
reações das forças da natureza, mas que, aos poucos vamos nos dando conta de
que há uma grande parcela de contribuição humana.
Sobre os fenômenos climáticos já
temos bastante literatura explicativa mostrando que o aquecimento global,
provocado pela emissão de gases, produzidos pela ação humana é uma realidade
inquestionável. Em 2010 quando houve o terremoto catastrófico no Haiti, o então
presidente da Venezuela, Hugo Chaves, denunciou que havia sido obra dos Estados
Unidos. De lá para cá nada foi provado sobre essa capacidade humana de
propositalmente provocar abalos sísmicos, no entanto, para quem pensa
estabelecer bases militares na Lua, a 363 mil quilômetros, o que seria intervir
a 10 quilômetros sobre o movimento das placas tectônicos localizadas na crosta
e no manto da terra?
Sem precisar ir tão longe, o
Ministério de Minas e Energias do Brasil explica que: A crosta terrestre é
formada por placas rígidas que se deslocam em diferentes direções, como se
flutuassem sobre o manto, que é uma porção da Terra de consistência
plástica. Esse movimento é vagaroso e se move apenas alguns centímetros por
ano. Mas, as placas são massas colossais e quando duas delas se encontram,
começa a haver uma compressão. Em dado momento, a tensão acumulada é tão grande
que supera a resistência das rochas e ocorre uma ruptura, chamada falha
geológica. Nesse momento ocorre o terremoto.[1]
Em 2017 a Organização National
Geographic, publicou matéria com explicações dando conta que a ação humana tem
a capacidade de provocar terremotos, por meio da mineração, construção de
barragens e perfuração por fraturamento hidráulico.[2] Traz essa matéria
informações de outros estudos reveladores, que foram localizados 730 locais que
provocaram terremotos nos últimos 150 anos. Esses abalos sísmicos ocorridos
pela intervenção humana ocorrem sem terem ligação próxima com as placas
tectônicas.
Continua o mesmo texto destacando
que a mineração causou o maior número de terremotos induzidos pelo homem; 271
dos 730 locais acima citados, devido a quantidade de remoção de terra e de
rochas. 167 abalos sísmicos foram provocados pela construção de barragens. Nos
Estados Unidos, os estudos comprovam que a origem dos terremotos advém da
exploração de petróleo e gás. Foram comprovados que 29 locais abalados,
induzidos por perfurações, 36 por eliminação de águas residuais
pós-perfurações e 12 por eliminação de águas residuais de
petróleo e gás.
Deixemos de lado, por um momento, os
dados, e fixemos a atenção na lógica da imaginação. Se a crosta terrestre na
qual pisamos representa o assoalho da casa comum, ao retirarmos água, petróleo,
minérios e gás do subsolo, é de fácil compreensão que no local ficam imensos
vazios que buscarão ser preenchidos com os desmoronamentos de matéria, por isso,
os terremotos provocados pela ação humana, têm essa origem.
Dito de outro modo, se as queimadas
e emissão de gases promovem o desiquilíbrio climático, a exploração de minerais
no fundo do subsolo promove desiquilíbrios geológicos. No Brasil, segundo o
IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração), estão instaladas atividades de
mineração em dois mil e setecentos municípios, praticamente, a metade dos
municípios brasileiros estão sendo minerados atualmente. Completam esses dados,
o avanço da exploração de petróleo na Bacia da Foz do Rio Amazonas, sem nenhuma
preocupação com o aquecimento global e, nem tampouco, com a sustentação do peso
das águas sobre o vácuo da retirada do petróleo.
Diante desses dados todos, podemos
perguntar o que é a democracia no capitalismo, senão a liberdade de extravagar
a ordem natural do Planeta? A corrida pelo progresso tem fascinado os
governantes a darem concessões aos exploradores e devastadores da Terra. Acima
desses, está a ganância imperialista que não aceita restrições para a liberdade
destrutiva. Quando os países não cedem por bem, cedem por mal e, este último, a
Venezuela e a Colômbia estão experimentando no tempo presente. Nós já tivemos
os desastres de Mariana e Brumadinho, mas chegará também nossa vez de sofrermos
os abalos sísmico. Quando será?
Ademar Bogo
[1] Ministério de Minas e Energias.
Terremotos. https://www.sgb.gov.br/terremotos(2014).
[2] Sarah Gibbens. Publicado 8 de nov. de 2017,
20:36 BRST, Atualizado 30 de jul. de 2025, 11:01 BRT.
https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2017/10/estudo-comprova-que-atividades-humanas-causam-terremotos-mortais