domingo, 28 de junho de 2026

FILOSOFIA DO ESPORTE


            A Filosofia do Esporte é um ramo da filosofia que trata da arte, da estética e da ética esportiva. Desde a Grécia antiga, quando lemos as obras de Platão e Aristóteles, vemos que, o primeiro dava muita importância à música e a ginástica para equilibrar o corpo e a mente e, o segundo via nas atividades esportivas, a possibilidade de desenvolver virtudes e tornar as pessoas mais alegres, consequentemente mais festivas e eticamente melhores como cidadãos.

            Talvez o que conheçamos hoje como esporte praticado em pequenos grupos ou com exibições individuais, já foi no passado uma atividade comum e envolvente para todas as pessoas na produção da própria cultura de todas as sociedades. Os diálogos constituídos por meio de jogos de linguagem, sempre revelaram a arte da boa conversação em cerimônias festivas, nas quais cada tribuno busca as mais adequadas palavras para deleitar os ouvintes. As danças por simples divertimentos, serviram sempre como treinos para os posteriores concursos. Da mesma forma as composições musicais que elevaram em todas as épocas os gênios a patamares insuperáveis, nunca deixou de ser uma boa companhia para os boêmios, os decepcionados com a fidelidade matrimonial ou para as pessoas que aprenderam a inserir os cantos nas atividades de trabalho.

            O assunto sobre a arte esportiva participa da História da humanidade que o historiador inglês Johan Huizinga, nascido no final do século dezenove deu-se conta que não somos apenas homo sapiens, mas evoluímos também para “homo ludens”, ou seja, pessoas lúdicas que gostamos de jogar, brincar e nos divertir produzindo e usufruindo das formas artísticas. O mais surpreendente no livro desse autor, Homo Ludens, publicado em 1938, é a sua defesa da ideia que os jogos e as brincadeiras foram criados antes pelos animais. Basta observar as relações que eles desenvolvem coletivamente: “Convidam-se uns aos outros para brincar mediante um certo ritual de atitudes e gestos. Respeitam a regra que os proíbe morderem, ou pelo menos com violência, a orelha do próximo. Fingem ficar zangados e, o que é mais importante, eles, em tudo isto, experimentam evidentemente imenso prazer e divertimento”.[1] De modo que, podemos considerar que a diversão é tão importante como a água e a comida para todas as espécies vivermos nesta Terra.

            Ficamos surpresos com algumas atividades esportivas e suas potencialidades de mobilizarem multidões como é o futebol. Como muitas outras expressões artísticas ele se diferencia das brincadeiras espontâneas dos animais e entra para as atividades ensinadas pela civilização. Um exemplo disso é o Japão. O futebol foi levado para aquele país no final do século dezenove pelos britânicos e, mesmo assim, somente veio a participar da Copa do Mundo em 1998. Atualmente apresenta-se com tamanha capacidade que ameaça a passagem do Brasil para a segunda fase desse certame de 2026.  

            A Copa do Mundo é uma atividade lúdica. Embora a participação direta seja efetuada com um grupo muito reduzido, mobiliza bilhões de pessoas no mundo inteiro. É para esperar o momento do jogo que as crianças pintam e os adultos enfeitam as ruas com bandeirolas e param diante das telas no dia das disputas com outros concorrentes como se fosse dia santo ou feriado.

            Na Copa do Mundo a Pátria se faz representar, cada qual exibindo o seu hino e sua bandeira. Os uniformes tendem representar as cores nacionais e as multidões se comportam como forças organizadas em defesa da ética, do respeito das normas, mas também criticam o técnico e os jogadores que não desempenham a função na posição que ocupam.

            Por outro lado, um grande evento como a da Copa do Mundo coloca-se tão distante das brincadeiras espontâneas dos animais que os jogos se tornaram irreconhecíveis. Os atletas são monitorados, as regras são reguladas por aparelhos eletrônicos como é o caso do Var que, não importa a beleza da jogada, basta que a tecnologia aponte que um pé do centroavante esteja um pouco a frente da linha de impedimento, e o gol é anulado; dessa forma a toda energia da comemoração fica desperdiçada.

            De outro modo, os interesses políticos aproveitam o momento para dificultar o bem-estar dos desafetos e, com isso, muitas seleções são mal recepcionadas e mal alimentadas; no fundo, utilizadas apenas para fazer a presença inicial e, logo na primeira ou no máximo na segunda fase, serem despachada para que a verdadeira copa do exibicionismo e da lucratividade tome conta.

            Os ganhos econômicos são os que mais se destacam. As grandes empresas desde o turismo até a oportunidade de fazer negócios com a compra e venda de jogadores. Estes apesar de exibirem-se como celebridades não passam de fantoches nas mãos dos proxenetas que gerenciam a antiética da desumanização.

            Em síntese aquilo que no cotidiano serve como diversão para as crianças e os adultos em campo de terra, na Copa do Mundo torna-se um evento para a elite, porque, no decorrer do evento ocorrem dois tipos de eliminação: a primeira dos times que não possuem poder de investimento na educação esportiva e os clubes sobrevivem em seus países com a venda dos melhores jogadores e, a segunda é a eliminação dos torcedores com poder aquisitivo mais baixo; isto porque, conforme as fases da copa evolui, os ingressos mudam de valor. Portanto, apesar da grande comoção mundial, no final, sobram 22 jogadores, dois técnicos e um banco de reservas com pessoas auxiliares, com um estádio lotado de torcedores da classe média e da lumpemburguesia vivendo como parasita das habilidades alheias.

            Apesar de tudo, a Filosofia do Esporte continua viva. O cuidado com a estética do belo e dos sentimentos afetivos, a confraternização e a unidade nacional, são características que a cartolagem não pode destruir. Há, contudo que lutar contra a desumanização das atividades esportivas, mantendo todas as modalidades como necessidades de divertimentos e não como meio de enriquecimento de elites corrompidas.

                                                                                               Ademar Bogo



[1] HUIZINGA, Johan. Homo Ludens. São Paulo: Editora Perspectiva S. A. 2000.

domingo, 14 de junho de 2026

O COMPLEXO DE HERÓSTRATO

 

            Piromania é um termo usado para caracterizar um distúrbio existente em uma pessoa atraída por fogo e destruição. Ao ser identificado esse indivíduo passa a ser denominado de “piromaníaco”. Freud descreveu a situação aproximada por ocasião de nascimento de Alexandre Magno que, “Heróstrato ateou fogo ao venerado Templo de Artêmis, em Éfeso, por simples desejo de obter fama”.[1] O fogo, portanto, carrega consigo várias simbologias, mas, do ponto de vista de sua ofensividade serve para acarretar prejuízos quando se associa com as armas e, por outro lado, dá ao incendiário a sensação de poder ilimitado.

            O fascínio que a princípio representa o deslumbramento ou atração irresistível pela fama, levou Heróstrato, no 356 antes de Cristo, a incendiar uma das sete maravilhas do mundo antigo. O propósito para cometer esse crime hediondo foi unicamente o de ser lembrado eternamente. De imediato as autoridades de Éfeso descobriram o malfeitor e, após prendê-lo, torturá-lo e executá-lo emitiram um decreto que ficou conhecido como “Condenação da memória”; ou seja, ninguém poderia pronunciar o seu nome sob pena de ter o mesmo fim que ele. Não funcionou. O historiador grego Teopompo, arriscou-se e escreveu o acontecido e o seu intento chegou até nós perenizando a intenção de Heróstrato.

            Podemos considerar simbolicamente que o fogo que incendeia e destrói também ilumina e clareia ao redor para que possamos desvendar a verdade.  Na atualidade a tentativa de destruir com mísseis e bombas, mostra que a sedução pode levar à exaltação e fixar a memória eterna; mas também pode revelar que a resistência contrária, remetendo o fogo de volta ao inimigo, pode queimar a fama e, ao invés de relembrar os feitos como atos heroicos, fazer as futuras gerações conhecerem os verdadeiros covardes que, tomados pelo “Complexo de Heróstrato” pensam iluminaram-se através de ações criminosas.  Os motivos para surgir um incendiário pode vir de uma piromania individual como também coletiva.  Diante da derrocada de um micropoder ou de um império, as alternativas principais ancoram-se na violência e na guerra.

            O fascínio do império facínora que se alimenta da agressão das nações e da morte generalizada, não representa poder, mas insegurança e sensação real de descontrole. O Presidente dos Estados Unidos se assemelha a um velho bêbado que esbraveja na cozinha enquanto na varanda os filhos e netos se divertem às suas custas. A suposta capacidade de liderar e submeter os outros países aos seus anseios, poucos já o obedecem; basta lembrar a proposta feita para a formação de um “Concelho de Paz”, para reconstruir a “Nova Gaza”, na Palestina, apenas duas míseras dezenas de países apoiaram, porém nunca desembolsaram nenhum dólar e o plano desapareceu das discussões.

A pequenez da política internacional do imperialismo é tamanha que as atitudes estratégicas se atêm ao tarifaço, no entanto, a medida somente intimida governantes covardes que se ajoelham diante do imperador para oferecer as suas mercadorias, os que se respeitam, devolvem o ataque com as mesmas taxas alfandegárias. Imaginar que o imperador romano se preocuparia com a prisão de um sociopata como Bolsonaro ou atacar uma província porque havia criado uma moeda ou um Pix, ou ainda transformar grupos de narcotraficantes em terroristas quando quase em nada afetam a segurança econômica, é uma clara demonstração que o imperialismo está sem rumo.

As ameaças cotidianas de que irão invadir Cuba representa outra infantilidade política e a repetição de erros que se repetem a mais de seis décadas. Os permanentes bloqueios econômicos até o momento não fizeram surgir efeitos favoráveis ao imperialismo. Logo, uma estratégia que a mais de sessenta anos não funcionou, revela estar totalmente errada. A única esperança que os agressores poderiam alimentar para restabelecer relações capitalistas com Cuba, seria capitalizando e não asfixiando aquele país. O que impede que incendiários enxerguem isso é o Complexo de Heróstrato, formado pelos instintos de vingança misturados à ansiedade de obterem fama.

A força indestrutível contra as bombas e o fogo que carregam é a multipolaridade internacional. As nações de uma só vez se levantam para dizer que não querem mais ser reféns de um poder sanguinário, explorador, que passará para a História como sendo o sistema que, em curto período de dois séculos promoveu a barbárie mundial, mas foi contido e rebaixado. Isso acontecerá assim que a indústria armamentista perder a importância, transformará os Estados Unidos em uma das economias mais dependentes do mundo, isto porque, sem indústrias os Estados Unidos retornarão à produção primária. Quando isso acontecer, os imigrantes sairão de lá por conta própria e as cenas de humilhação das extradições deixarão de serem vistas.

Por trás das constantes bravatas se esconde o medo de perder a hegemonia sanguinária da política internacional. O único produto que pode surgir do medo são mais armas. No entanto, elas sozinhas não conseguem resolver os problemas da perda da capacidade competitiva econômica. O máximo que a tecnologia armamentista conseguirá será provocar estragos materiais, estes, porém, podem ser concertados com as reconstruções, o que as armas não conseguem fazer é derrubar a autoestima e a teimosia dos povos.

                                                                                               Ademar Bogo



[1] FREUD, Conferência XXXII, 1932. Vol. 22.

domingo, 31 de maio de 2026

A LUTA CONTRA A IMPERTINÊNCIA


Na Filosofia da Linguagem as palavras são vistas, como em qualquer situação, mas também pelas intenções que escondem. Por isso a linguística procura sempre relacionar o signo significante e os seus significados, isto porque, um termo pode dizer diversas coisas e todas elas verdadeiras.

A impertinência segue o caminho oposto da linguagem verdadeira. Apear de também fazer uso das palavras, registra-se pelas trilhas do inadequado, causa irritação, desconforto e conflitos. São palavras e falas que instigam as desavenças pela ignorância dos falantes que se colocam em posições cujo interesse é desfazer e rebaixar os seus oponentes.

A linguagem política é feita de semântica às avessas, não é como a literatura que é propositalmente significativa e bela, como faz o escritor português Mia Couto, ao explicar a sua escrita: “Escrevo como Deus: direito mas sem pauta. Quem me ler que desentorte as palavras. Alinhada só a morte. O resto tem as duas margens da dúvida. Como eu, feito de raças cruzadas”.[1] A linguagem do império é traiçoeira, é feia e falsa. Os seus dizeres são mesquinhos e permeados de interesses fixos que as palavras encobrem com disfarces.

No fundo a linguagem imperialista deveria nos alertar, pois ela sempre aponta para frente; somente se refere ao passado quando é para cobrar alguma conta inventada. Sendo assim, quando não temos uma perspectiva segura a seguir, devemos observar as palavras de nossos inimigos, elas, ao dizerem o que eles pretendem, nos indicam a direção para onde devemos ir.

O filósofo Lucius Annaeus Seneca, conhecido por nós como Sêneca, foi preso por Nero e obrigado a cortar os pulsos suicidando-se na prisão para escapar aos martírios impostos. Para ele a mesma ideia pode ser expressa em linguagem diferente. “Você vê aqueles que elogiam sua eloquência, que cobiçam sua riqueza, que cortejam seu favor ou que se gabam de seu poder? Todos os estes são, ou, o que dá na mesma, podem ser seus inimigos”.[2] Confiar desconfiando deveria ser um princípio obrigatório quando se trata da relação entre países.

O ano de 2026 deverá passar para a história como sendo um dos mais irônicos já vividos pela humanidade, isto porque, os diálogos entre as partes nunca dizem quais são as verdadeiras intenções e, as intenções surgem sempre depois de uma ameaça consumada. Somente quem aprendeu a ler chantagens pode verdadeiramente organizar a própria autodefesa. Vejamos dois exemplos construídos de propósito: a possibilidade de vir à tona as denúncias de pedofilia e tráfico sexual envolvendo Donald Trump, conhecido como “Caso Epstein” custou a guerra contra o Irã, no intuito de abafar a exposição pessoal do presidente dos Estados Unidos. O outro mais recente, envolvendo os desvios financeiros do Banco Master, está rendendo ao Brasil a inclusão na lista dos países terroristas, abrindo as portas pela intervenção direta dos Estados Unidos, com claro objetivo de preservar a família Bolsonaro.

Poderíamos considerar que este ato irresponsável e covarde de fugir para a casa do inimigo entregando-se em troca de que ele venha atacar o próprio país, seja apenas um truque ou uma medida midiática que visa tirar o escândalo dos noticiários? A curto prazo sim. No entanto, todos sabemos que o interesse do imperialismo não se prende ao objetivo de matar traficantes, mas em saquear as riquezas naturais dos países alheios. Vide o que ocorreu na Venezuela. Após sequestrarem o presidente Maduro, e a deputada Cilia Flores, apossaram-se do petróleo e o assunto sobre o tráfico de drogas foi encerrado.

O Brasil está na rota da cobiça estrangeira. Mais dia menos dia o capital imperialista exigirá mais do que o controle parcial das riquezas naturais, desejará tomar posse delas para assegurar o futuro dos negócios do império. Por isso, a linguagem tem que ser direta, sem meias palavras, nem visitas de cortesia com recepções sobre tapetes vermelhos. A impertinência só respeita as mensagens transmitidas pela resistência.

A soberania de um país se alcança e mantém com a capacidade de luta permanente. Falar alto nem tampouco manso sacia a fome do capital estrangeiro. Ele precisa de uma força maior para contê-lo e, isso somente um povo organizado pode fazer.

                                                                       Ademar Bogo  



[1] Mia Couto. Estórias abensonhadas, p. 68

[2] Sêneca. A vida feliz, p. 18.

domingo, 17 de maio de 2026

A FORÇA DA INDIFERENÇA

 

            Todos sabemos que a política não se faz só com política, há outras áreas que se envolvem com suas especialidades para ajudar a pensar, planejar e executar os planos táticos e estratégicos. O filósofo Michel Foucault ao fazer as suas elaborações filosóficas sore a política, percebeu o problema contemporâneo da seguinte forma: "O que acontece atualmente e o que somos nós, nós que talvez não sejamos nada mais e nada além daquilo que acontece atualmente?" A questão da filosofia é a questão presente que é o que somos. Daí a filosofia hoje ser inteiramente política e inteiramente indispensável à política”.[1]

            Quando colocamos a filosofia à disposição da política começamos a perceber que somos nós os fazedores dos acontecimentos atuais e, como consequência, somos lembrados e conhecidos por eles. A civilização embora se utilize das forças da natureza, é humana. Assim também são humanas a violência, a ignorância e a corrupção.

            Sobre a corrupção há diversas elaborações confirmando as suas origens. Basta observar um pouco mais atentamente que no cenário ao fundo das fotografias de muitos processos políticos, aparecem as empresas nacionais e multinacionais, os Bancos e o Estado. Por isso, aquilo que nos acostumamos a chamar de “democracia” que emerge das urnas, é uma versão ingênua da dominação e do totalitarismo, chamado por Max Weber de “patrimonialismo”, pois, pouco ou quase nada há para diferenciar entre o que é público e o que é privado.

            Diante dessa promiscuidade, as mãos que abraçam e carregam o dinheiro público para distribuí-lo entre as forças aliadas dos grupos políticos, são as mãos do capital privado. Para que isso aconteça é preciso dar às transações certos requintes de legalidade e, enquanto não estourar um escândalo, as grandes multidões comportam-se como torcidas organizadas diante de dois times que disputam um campeonato em um campo de futebol. Mal sabem elas que os custos para um dos times se sagar campeão, não serão pagos pela arrecadação dos ingressos; outras formas de investimentos serão realizadas em vista das facções obterem vantagens posteriores.

            As constatações são transparentes. O crime organizado e o capital especulativo deram-se as mãos e passaram a constituir facções políticas visando tomar o Estado e transformá-lo no meio principal para a realização das transações criminosas e protegerem-se da repressão. Já não se pode chamar essas excrecências de “máfias” porque estas têm como tradição, agirem secretamente com normas rigorosas, como é o caso da “lei do silêncio”. Os negócios e investimentos das atuais milícias são públicos e os líderes das mesmas atuam em duas frentes: uma que permite reduzir as penas com as delações e, a outra, se a primeira ocorrer, articulam-se para mudar as leis que os condenaram, impondo ao poder judiciário a recontagem dos anos de prisão, com o objetivo de reduzir as dozes, pela medida imposta da “Dosimetria”.

            Por outro lado, os acontecimentos moldaram a polarização das opiniões político eleitorais no Brasil. Já não se pensa mais na qualidade das ideias, apenas quem elas representam. Nesse sentido, situação e oposição empatam em todas as pesquisas. Os “fiéis da balança” são agora os indiferentes. Se considerarmos que um dos princípios democráticos é contabilizar a vantagem numérica da maioria sobre a minoria, certamente estamos a perceber que, a indiferença tornou-se uma nova força política, que pode estar alheia ou revoltada, mas é ela quem decidirá as próximas eleições para presidente da República do Brasil, em 2026.

            Não é difícil de chegar a essa constatação, basta observar os últimos pleitos as pequenas diferenças que ficaram em torno de 1% e, as pesquisas de opinião para o segundo turno  entre o candidato do PT e qualquer um, de qualquer outro partido, e teremos o denominado “empate técnico”.

            Agora podemos continuar o raciocínio filosófico iniciado acima por Foucault, não sem antes perguntar quem somos nós na atualidade política? De certo podem aparecer muitas opiniões classificatórias, no entanto, a grande maioria dos cidadãos, não somos mais do que eleitores. Quem éramos e quem somos?; a resposta a essa pergunta está no curso dos acontecimentos. Eles, ao longo do tempo levaram à aceitação daquilo que não era aceito e à passividade ao que era radicalidade.

            Os protestos converteram-se em mensagens nas redes sociais; a solidariedade em doações no pix e, o conteúdo da formação da consciência tornaram-se áudios curtos, porque ninguém aguenta ouvir alguém por mais de um minuto. Sendo assim, os totalmente indiferentes e analfabetos da política eleitoral, fora da polaridade, podem não estar com a razão, mas estão com a última palavra. O triste fim de um período histórico é constatado quando os sem opinião detém o poder de decisão. Então, quem somos nós?

                                                                       Ademar Bogo    



[1] FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1984, p. 303.

domingo, 3 de maio de 2026

A CERCA DE BAMBU

 

            Toda vez que nos espantamos com algum fato, principalmente acontecido na política, desconhecemos que nada acontece repentinamente sem antes ter sido projetado, preparado e realizado com a ativa participação de determinadas forças e, com a indiferença que soa como autorização das outras forças inativas.

            O filósofo francês Etienne Balibar ao escrever sobre a alienação destacou que: “A alienação é obra do próprio homem: ela não se distingue do processo de sua atividade. Criando objetos, ou seja, expressando-se, realizando a si mesmo, o homem cria o instrumento de sua própria despossessão. É a atividade humana que é pervertida, alienada – alienante, e por conseguinte a alienação aparece primeiro ao homem como uma fatalidade natural”.[1]

            A desenvoltura dessa posição do autor é antecipada pela reminiscência do pensamento de Feuerbach, quando criticou a religião em 1841, em seu livro, A essência do cristianismo e, lá, intolerantemente revelou as bases da alienação religiosa. Balibar se serve disso para dizer que: “Deus criado pelo homem torna-se criador do homem, e se atribui sob forma de perfeições os atributos do homem. Por causa disso o homem é apenas a coisa de Deus: sua liberdade é aí perdida”.

            Longe de querer entrarmos em debate sobre a questão religiosa, devido ao pouco espaço desta escrita, não permitiria sustentar quando as seitas impõem, não apenas o conteúdo das crenças, como também os valores monetários para propagá-lo e praticá-lo. O que queremos é servir-nos da metáfora para aplicá-la na política e mostrar que em um determinado estágio da luta de classes, quando os processos se esgotam, o conteúdo das consciências em geral se modifica e passa a defender que as pessoas são filhas da mesma coisa.

            Para facilitar o entendimento da alienação, no lugar de Deus, disposto no parágrafo acima, coloquemos o Estado e logo perceberemos que o direito, o cidadão, o político, o eleitor etc., são coisas da criação do Estado. Mas quem criou o Estado que veio a criar essa diversidade de coisas? Os burgueses que passaram a atribuir a toda superestrutura a responsabilidade de manter a ordem social.

            De qualquer modo não escapamos de relacionar a alienação com a religião e a política. Na medida que o homem criou Deus na visão de Ludwig Feuerbach, para que a divindade atribuísse as suas características aos mesmos seres que o criaram, a criação do Estado visou os mesmos resultados. Para os burgueses, mais do que a igualdade da razão, como ensinava Kant, eles, como orientou Georg Hegel, queriam uma instituição capaz de reconhecê-los como proprietários legalmente livres para realizar os seus interesses.

            Se quisermos identificar uma diferença primeira, os burgueses ao contrário dos trabalhadores quando criaram o Estado nunca mais se alienaram dele. Ou seja, sempre souberam a sua função e como devem utilizá-lo para manterem a ordem dominante sobre os cidadãos obedientes e dominados.

            Quando voltamos à teoria revolucionária escrita desde a metade do século dezenove, não encontramos nenhum elogio ao Estado, muito pelo contrário, todas suas características são infernais que nenhum homem gostaria que a divindade lhe repassasse aquelas qualidades. Mas eis então que nos deparamos na atualidade com essa profissão de Fé ameaçando pôr abaixo o fantasioso mundo da liberdade criado na cabeça dos trabalhadores.

            Por que passamos a divinizar a criatura perversa criada pelos burgueses, que nos criou como cidadãos democratas e cumpridores das leis? Pelo fato de atribuirmos a ele a responsabilidade de nos levar ao mundo da felicidade, onde haveria comida e acesso aos bens de consumo para todos. Nesse sentido, ao invés de detratar o governo que aplica as Leis do Estado, passamos a elogiá-lo porque ele também nos elogia. No entanto, como criadores de um governo que nos criou como bolsistas, candidatos a subir no elevador do bem-estar, nos afastamos e alienamos da luta, isto porque, o nosso criador nos passou a ilusão que, para sermos o que somos precisamos apenas continuar fiéis para garantir a sua eternidade pelo voto. Com isso foi embora a consciência crítica, as capacidades organizativas, as metodologias dos cursos de formação de liderança, a prática das reuniões de núcleos, as mobilizações para ampliar e assegurar os direitos e a própria perspectiva de tomarmos, verdadeiramente o poder do Estado e transformá-lo, para que deixe de ser um instrumento de dominação de classe.

            Portanto, alienados das demais criaturas, assistimos as forças burguesas que criaram o Estado, aprovarem leis no parlamento que amenizam as penas dos criminosos políticos e, reprovarem as indicações e os vetos do poder  Executivo, ameaçando com novos golpes se o governo não satisfizer as suas vontades que, acima de tudo, é entregar o restante das riquezas naturais aos Estados Unidos.

            Podemos concluir. Em sociedades alienadas o poder político não é eterno. A obrigatoriedade em defender a democracia contra as posições totalitárias, serve também para garantir que as forças contrárias se organizem e disputem os mesmos espaços temporariamente ocupados pelos democratas que, em caso de demorar a se realizar o retorno ao poder, promovem golpes de Estado ou chamam o poder imperial para fazer invasões, sequestrar e matar os governantes como fizeram na Venezuela e no Irã.

            Portanto, a lição histórica nos ensina que, com pessoas alienadas não se faz política, apenas se disputa eleições andando sobre o fio da navalha. Política se faz com pessoas conscientes, mas para isso, voltando à metáfora, agora com um estímulo dialético, precisamos de criadores que criem as criaturas e, partidariamente não as deixe alienarem-se. A tática do voto, isoladamente, representa uma cerca de bambu diante de um tanque de guerra. Vamos continuar nos escondendo atrás dela?

                                                                                               Ademar Bogo



[1] BALIBAR, Etienne. caderno cemarx, nº 7 – 2014, p. 233. In. BALIBAR/Étienne%20Balibar%20-%20As%20Ideologias%20pseudomarxistas%20da%20alienação.pdf

domingo, 19 de abril de 2026

SEM TRANSIÇÃO NÃO HÁ TRANSFORMAÇÃO

 

            Sempre que perguntamos sobre um convalescente e a resposta nos alcança com um, “continua na mesma”, duas sensações tomam conta da consciência informada: a primeira situasse na negatividade de que, “pelo menos não piorou” e, a segunda, mesmo que alimentada por uma onda fraca de otimismo, indica que “poderá melhorar”.

            Essa parece ser a situação da conjuntura mundial atormentada pelas guerras localizada, as disputas pelo macro mercado e pela apropriação das riquezas naturais. Quem aparentemente está perdendo, continua sendo império e, o outro lado resistente, pelo simples fato de não se deixar aniquilar, não pode dizer que ganhou porque as consequências negativas, como as sequelas físicas teimam permanecer e incomodar.

            As razões para termos esses supostos “empates” bélicos após um período intenso de combates, se deve a instalação do Estado de barbárie no interior do modo de produção capitalista, no qual, todos os esforços empregados dificultam sair de tal situação. O motivo justificador disso é porque parece faltar uma lei que determina a transformação pela ausência da força de transição. Marx na década de 1850 havia se dado conta que: “Para atingir o seu objetivo, basta provar a necessidade da ordem atual, e, ao mesmo tempo, a necessidade de outra ordem na qual se transformará, inevitavelmente, a primeira, acreditem ou não os seres humanos, tenham ou não consciência da transformação”.[1]

            As necessidades da ordem atual capitalista parecem não ser de difícil compreensão. O capital somente poderá existir se continuar expandindo as suas formas de reprodução e acumulação. Acontece que, diferentemente do período colonial quando de algum modo as riquezas estavam disponíveis, agora, além de serem escassas há muitíssimas pessoas interessas em usufruí-las. Para impor os seus interesses, os capitalistas apelam para o uso da violência como o faz qualquer gangue que dissemina o terror em um território controlado pelos narcotraficantes. A barbárie, portanto, se estabelece quando não há mais nenhuma garantia de ordem, não importa se isso ocorre em um bairro ou em disputas entre países.

            Por outro lado, não se apresenta claramente como deverá ser a outra ordem que prometa levar-nos para além da transição. O Estado capitalista que no período neoliberal parecia ter perdido um pouco de seu potencial invasivo, recuperou, pelos interesses do capital, o seu poder de uso. O enfraquecimento e desaparecimento das formas organizativas da sociedade civil e principalmente das entidades de classe, as disputas passaram a ser em campo aberto e institucional.

            As esperanças já não estão mais depositadas nas conquistas dos direitos, mas  nos regimes políticos se eles se caracterizam como “democracia” ou “ditadura”. A jocosidade é que isso pode mudar de um pleito para outro e pôr abaixo acordos bilaterais para estabelecer outros mais esdrúxulos, sem o mínimo de concordância com a ética.

            Passamos a conviver com a síndrome da perda eleitoral. A decomposição dos planos táticos expressos por meio de ações na cotidianidade, já não permite inserir ninguém nas formas orgânicas de luta e resistência. O comodismo Ocidental cristianizado, levou a formular a crença de que tudo se resolve em uma única batalha; nesse caso, na disputa eleitoral.

            Houve um tempo a partir da Terceira Associação Internacional, em 1919 que as forças de esquerda e revolucionárias, além de combaterem as forças inimigas, combatiam-se entre si; cada uma querendo impor o seu critério de verdade. Facções e tendências reproduziam-se com muita facilidade, o que no fundo faltava era sentimento de unidade. Ultimamente vimos sair de moda essas práticas conflitivas, mas seria porque houve o convencimento de que aquelas disputas eram infantis, ou porque ninguém mais se dedica a pensar a transição estratégica para a conquista de outra ordem política e social?

            Esse jogo institucionalizado entre oposição e situação, indica que haverá alternância das forças políticas nos governos. Essa norma é inerente à lógica das disputas de ganhar e perder. Isso não é ruim. No entanto, ao longo dos anos as populações foram sendo educadas que mudanças políticas funcionam como os fenômenos naturais, como ocorre com El niño que retorna a cada 4 anos, desarruma tudo e depois passa, deixando as pessoas com a sensação de que nada se pode fazer.

            Devemos nos convencer que a política é feita com ideias e ações pensadas e organizadas. Para que os resultados aconteçam é preciso tempo de planejamento e execução. As exigências para diferenciar a política os processos naturais é querer alcançar os resultados programados. Mesmo assim podemos ficar aquém da realização de algo duradouro, então, devemos pensar na transição da ordem atual para a outra ordem futura. Isso não se faz com as disputas eleitorais apenas.

                                                                                                                                                                                                                                   Ademar Bogo

               

    



[1] MARX,  Karl. O mensageiro Europeu O capital, Vol 1. 1996.

sexta-feira, 27 de março de 2026

OS OVOS DA SERPENTE

  

Sigmund Freud em 1930 no nascedouro do nazismo alemão, sem saber o que viria pela frente, faleceu antes, em 1939, quando iniciou a Segunda Guerra Mundial, ele escreveu o belo texto com o título: O futuro de uma ilusão e o Mal-estar da civilização. Antes de chegar a esse título vários outros foram considerados como a “infelicidade” e “desconforto” da civilização. Mas, após discutir as influências da civilização e o poder dos líderes sobre as massas, Freud revelou-se um tanto pessimista com a possibilidade do fim da coerção civilizatória: “A experiência ainda não foi feita. Provavelmente uma certa percentagem da humanidade (devido a uma disposição patológica ou a um excesso de força instintual) permanecerá sempre associal”.[1] Poderíamos dizer, incapaz de viver em sociedade.

Quando tomamos a referência de seres não sociais, ou mais propriamente indiferentes ao sofrimento humano, causado pelo simples interesse de expandir e controlar o poder, vem-nos a imagem o comando do império sanguinário dos Estados Unidos, exibindo-se nos meios de comunicação, como a oferecer cenas de filmes de horrores que os seus autores produzem, à espera de prêmios e aplausos.

É evidente, bem como discorreu Freud, as massas precisam, desejam e querem um líder que unifique as diferentes energias em um único estado de condensação. No entanto, na atualidade civilizatória, os instrumentos induzem uma certa quantidade de pessoas quererem o que os seus líderes querem.

Por outro lado, não conseguimos perceber que o domínio do querer, possuí, pelo menos duas faces. A primeira é a expressão pública exposta com superioridade, para que ninguém ouse contestar. Essa figura se mune de algumas habilidades e expressões cotidianamente repetidas, até que se tornem fixações na memória recente dos seus liderados. A segunda face não é de toda aparente e, por isso, pouco referenciada, mas é muito perigosa, porque ela age nas sombras escondendo todas as emoções e, por isso, tem a liberdade para criar efeitos amedrontadores

O que estamos dizendo é que, quando analisarmos a violência e a destrutividade espalhadas pelo mundo, pelos Estados Unidos da América, não devemos entender que isso seja expressão do poder pessoal de Donald Trump, mal comparando ele é o alto-falante que repercute a voz de outros perversos capitalistas, que se revezam ao microfone como porta-vozes do capital.

A eleição para o segundo mandato daquele presidente adequado à reprodução da carnificina imperialista, veio associada de novas articulações e interesses perversos da direita que estava sendo chocada como os ovos da serpente em situações anteriores. Sem detalhar os nomes que estão por trás dessa figura terminal, há um conjunto de figuras mais jovens que permanecerão por décadas, mesmo que algumas matizes na politica mudem de cor. Fazem parte desse grupo seleto de homicidas, algumas fundações, empoderadas mais do que os partidos políticos; proprietários da indústria armamentista; o capital especulativo; as big Tesch que controlam o sistema de comunicação e informação local e mundial; o Serviço de Informação e Alfândega (ICE) que adquiriu um poder particular para perseguir e deportar imigrantes e, as novas forças a serviço da reedição da Inquisição, que são as  seitas evangélicas.

Dito assim fica mais claro para entender que o projeto de dominação, principalmente sobre a América Latina e Caribe, reestabelecida com operações relâmpagos, com as maldades desferidas todas de uma só vez, devem se dar até o final do segundo ano do mandato do atual presidente. Para esses grupos aparelhadores do imperialismo pouco importa se haverá um terceiro mandato para esse mandatário, importa sim, é que os sistemas de dominação implantados nos pontos de interesses econômicos e simbólicos, sejam duradores.

A confiança é tanta no poderio armamentista que as ameaças não são veladas, mas ditas e registradas por escrito. Mas nem tudo corre como o esperado. A estratégia cirúrgica com resultados rápidos como a que foi usada na Venezuela, deverá ser empregada muito em breve na Colômbia e no Brasil; pouco importando quem esteja no governo, se forças de direta ou de esquerda, importa que fique documentado que certos domínios estarão garantidos por um prazo a se perder de vista. O modelo de controle do petróleo brasileiro é o ideal para implantarem na Venezuela, mas aqui ainda falta dominar os minérios nobres. Para tanto, nem é preciso que uma empresa Norte americana seja proprietária de todas as reservas petrolíferas e minerais, basta que detenham parte considerável do controle acionário, já é suficiente para regularem os preços e canalizarem o produto para a base do império.

O petróleo brasileiro é controlado pelo capital estrangeiro com tamanha expertise que, mesmo a Petrobrás mantendo o controle de 50,26% das ações, é incapaz de enviar um barril do produto em solidariedade a Cuba que, no rol das prioridades de invasão é um país a ser imediatamente atacado, não pelo potencial econômico que possui, mas pela simbologia desobediente que sustenta há mais de 60 anos. Por isso, são de pouca valia os argumentos de Gustavo Petro, presidente da Colômbia, em dizer que não possui relação com os narcotraficantes, o império atacará propondo o mesmo fim que teve Nicolás Maduro. Da mesma forma pouca importância têm as declarações de Lula afirmando que o Comando Vermelho e o PCC não são terroristas, que o império virá nos atacar dizendo que são.

Na história sempre que houve a exaustão dos poderes dos impérios, também foram momentos propícios para a realização de avanços políticos, o problema é que, nessas situações os inimigos, mesmo decadentes aproveitam para cobrar as dívidas. Sendo assim, agora ouviremos os lamentos e os porquês? Não vem ao caso passar em revista os outros países que deveriam ter equipado melhor as suas defesas, falemos de nós. Qual o poder de resistência de nossas forças armadas que nesse ano de 2026 detém um orçamento de R$ 142 bilhões, e que, em 375 anos de existência, mais serviram para dar golpes e massacrar os levantes populares nacionais do que combater os inimigos colonialistas e imperialistas?

De outro modo, no campo político surgirão outras dívidas e nos perguntaremos: como conseguimos permanecer por tantas décadas sem ter um partido revolucionário capaz de organizar a população para defender os direitos e a soberania nacional? Como pudemos acreditar que todas as conquistas viriam pelas disputas eleitorais, levando os movimentos sociais e forças populares a se tornarem bases passivas do poder institucional? Como pudemos deixar cair tão baixo o nível de consciência da população, que se orienta mais pelas fantasias do que pela concreticidade da política?

Baseemo-nos nas resistências palestina e iraniana. Elas nos mostram que os impérios podem ser derrotados. A estratégia do cerco e aniquilamento contra esses países deu errado. O cálculo de eliminar a liderança maior no primeiro dia de guerra, a espera que a população se levantasse e tomasse o poder, pela tamanha covardia, fez a opiniões se voltarem contra o império. No Irã o poder não está em um aiatolá, mas na cultura persa milenar que sempre viu a guerra com naturalidade política.

Como já afirmamos em outra ocasião, a Terceira Guerra mundial está em andamento, poderá não ser usada nenhuma arma nuclear, talvez a vergonhosa derrota contra o Irã obrigue o império fazer uso de um artefato desse tipo, como o fez no Japão, em 1945, mas ninguém se importará em revidar. Por quê? Mesmo que não esteja ainda escrito, a divisão do mundo está sendo efetivada em três pedaços e, a nós coube a submissão ao slogan: “América para os americanos”. Tudo depende de nós, latino-americanos aceitarmos ou não essa determinação.

                                                                       Ademar Bogo



[1] FREUD, Sigmund. O futuro de uma ilusão, O mal-estar na civilização e outros trabalhos, Vol. 21, p. 06