domingo, 16 de agosto de 2026

INSTABILIDADES PROVOCADAS

 

            Que estamos vivendo um período de profunda decadência do imperialismo liberal, no modelo originário do colonialismo europeu e do militarismo dos Estados Unidos da América, já não se pode duvidar. A sustentação dos princípios republicanos postos pelos capitalistas logo após a Revolução Francesa, já não é um objetivo a ser preservado pela especulação, assim como a crença que as democracias podem funcionar simplesmente porque a votante da maioria encontrou um candidato adequado, é uma ingenuidade que somente as forças progressistas ou oriundas da velha referência de esquerda acreditam. Para as forças dominantes valem os interesses e, quando precisam ser impostos violentamente, o totalitarismo jeito utilizado a qualquer tempo e sob qualquer regime.

            Por outro lado, estamos presenciando outros movimentos devastadores que são nomeados como fenômenos climáticos e abalos sísmicos, estes também conhecidos como terremotos. Aparentemente são reações das forças da natureza, mas que, aos poucos vamos nos dando conta de que há uma grande parcela de contribuição humana.

            Sobre os fenômenos climáticos já temos bastante literatura explicativa mostrando que o aquecimento global, provocado pela emissão de gases, produzidos pela ação humana é uma realidade inquestionável. Em 2010 quando houve o terremoto catastrófico no Haiti, o então presidente da Venezuela, Hugo Chaves, denunciou que havia sido obra dos Estados Unidos. De lá para cá nada foi provado sobre essa capacidade humana de propositalmente provocar abalos sísmicos, no entanto, para quem pensa estabelecer bases militares na Lua, a 363 mil quilômetros, o que seria intervir a 10 quilômetros sobre o movimento das placas tectônicos localizadas na crosta e no manto da terra?

            Sem precisar ir tão longe, o Ministério de Minas e Energias do Brasil explica que: A crosta terrestre é formada por placas rígidas que se deslocam em diferentes direções, como se flutuassem sobre o manto, que é uma porção da Terra de consistência plástica. Esse movimento é vagaroso e se move apenas alguns centímetros por ano. Mas, as placas são massas colossais e quando duas delas se encontram, começa a haver uma compressão. Em dado momento, a tensão acumulada é tão grande que supera a resistência das rochas e ocorre uma ruptura, chamada falha geológica. Nesse momento ocorre o terremoto.[1]

            Em 2017 a Organização National Geographic, publicou matéria com explicações dando conta que a ação humana tem a capacidade de provocar terremotos, por meio da mineração, construção de barragens e perfuração por fraturamento hidráulico.[2] Traz essa matéria informações de outros estudos reveladores, que foram localizados 730 locais que provocaram terremotos nos últimos 150 anos. Esses abalos sísmicos ocorridos pela intervenção humana ocorrem sem terem ligação próxima com as placas tectônicas.

            Continua o mesmo texto destacando que a mineração causou o maior número de terremotos induzidos pelo homem; 271 dos 730 locais acima citados, devido a quantidade de remoção de terra e de rochas. 167 abalos sísmicos foram provocados pela construção de barragens. Nos Estados Unidos, os estudos comprovam que a origem dos terremotos advém da exploração de petróleo e gás. Foram comprovados que 29 locais abalados, induzidos por perfurações, 36 por eliminação de águas residuais pós-perfurações e 12 por eliminação de águas residuais de petróleo e gás.

            Deixemos de lado, por um momento, os dados, e fixemos a atenção na lógica da imaginação. Se a crosta terrestre na qual pisamos representa o assoalho da casa comum, ao retirarmos água, petróleo, minérios e gás do subsolo, é de fácil compreensão que no local ficam imensos vazios que buscarão ser preenchidos com os desmoronamentos de matéria, por isso, os terremotos provocados pela ação humana, têm essa origem.

            Dito de outro modo, se as queimadas e emissão de gases promovem o desiquilíbrio climático, a exploração de minerais no fundo do subsolo promove desiquilíbrios geológicos. No Brasil, segundo o IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração), estão instaladas atividades de mineração em dois mil e setecentos municípios, praticamente, a metade dos municípios brasileiros estão sendo minerados atualmente. Completam esses dados, o avanço da exploração de petróleo na Bacia da Foz do Rio Amazonas, sem nenhuma preocupação com o aquecimento global e, nem tampouco, com a sustentação do peso das águas sobre o vácuo da retirada do petróleo.

            Diante desses dados todos, podemos perguntar o que é a democracia no capitalismo, senão a liberdade de extravagar a ordem natural do Planeta? A corrida pelo progresso tem fascinado os governantes a darem concessões aos exploradores e devastadores da Terra. Acima desses, está a ganância imperialista que não aceita restrições para a liberdade destrutiva. Quando os países não cedem por bem, cedem por mal e, este último, a Venezuela e a Colômbia estão experimentando no tempo presente. Nós já tivemos os desastres de Mariana e Brumadinho, mas chegará também nossa vez de sofrermos os abalos sísmico. Quando será?

                                                                                                      Ademar Bogo

                                                          


[1] Ministério de Minas e Energias. Terremotos. https://www.sgb.gov.br/terremotos(2014).

[2]  Sarah Gibbens. Publicado 8 de nov. de 2017, 20:36 BRST, Atualizado 30 de jul. de 2025, 11:01 BRT. https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2017/10/estudo-comprova-que-atividades-humanas-causam-terremotos-mortais

 

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