Piromania é um termo usado para caracterizar um distúrbio
existente em uma pessoa atraída por fogo e destruição. Ao ser identificado esse
indivíduo passa a ser denominado de “piromaníaco”. Freud descreveu a situação
aproximada por ocasião de nascimento de Alexandre Magno que, “Heróstrato ateou fogo ao venerado Templo de
Artêmis, em Éfeso, por simples desejo de obter fama”.[1] O
fogo, portanto, carrega consigo várias simbologias, mas, do ponto de vista de
sua ofensividade serve para acarretar prejuízos quando se associa com as armas
e, por outro lado, dá ao incendiário a sensação de poder ilimitado.
O fascínio que a princípio representa o deslumbramento ou
atração irresistível pela fama, levou Heróstrato, no 356 antes de Cristo, a
incendiar uma das sete maravilhas do mundo antigo. O propósito para cometer
esse crime hediondo foi unicamente o de ser lembrado eternamente. De imediato
as autoridades de Éfeso descobriram o malfeitor e, após prendê-lo, torturá-lo e
executá-lo emitiram um decreto que ficou conhecido como “Condenação da memória”;
ou seja, ninguém poderia pronunciar o seu nome sob pena de ter o mesmo fim que
ele. Não funcionou. O historiador grego Teopompo, arriscou-se e escreveu o
acontecido e o seu intento chegou até nós perenizando a intenção de Heróstrato.
Podemos considerar simbolicamente que o fogo que
incendeia e destrói também ilumina e clareia ao redor para que possamos
desvendar a verdade. Na atualidade a
tentativa de destruir com mísseis e bombas, mostra que a sedução pode levar à
exaltação e fixar a memória eterna; mas também pode revelar que a resistência contrária,
remetendo o fogo de volta ao inimigo, pode queimar a fama e, ao invés de
relembrar os feitos como atos heroicos, fazer as futuras gerações conhecerem os
verdadeiros covardes que, tomados pelo “Complexo de Heróstrato” pensam
iluminaram-se através de ações criminosas. Os motivos para surgir um incendiário pode vir
de uma piromania individual como também coletiva. Diante da derrocada de um micropoder ou de um
império, as alternativas principais ancoram-se na violência e na guerra.
O fascínio do império facínora que se alimenta da
agressão das nações e da morte generalizada, não representa poder, mas
insegurança e sensação real de descontrole. O Presidente dos Estados Unidos se
assemelha a um velho bêbado que esbraveja na cozinha enquanto na varanda os
filhos e netos se divertem às suas custas. A suposta capacidade de liderar e
submeter os outros países aos seus anseios, poucos já o obedecem; basta lembrar
a proposta feita para a formação de um “Concelho de Paz”, para reconstruir a “Nova
Gaza”, na Palestina, apenas duas míseras dezenas de países apoiaram, porém
nunca desembolsaram nenhum dólar e o plano desapareceu das discussões.
A
pequenez da política internacional do imperialismo é tamanha que as atitudes
estratégicas se atêm ao tarifaço, no entanto, a medida somente intimida
governantes covardes que se ajoelham diante do imperador para oferecer as suas
mercadorias, os que se respeitam, devolvem o ataque com as mesmas taxas
alfandegárias. Imaginar que o imperador romano se preocuparia com a prisão de um
sociopata como Bolsonaro ou atacar uma província porque havia criado uma moeda
ou um Pix, ou ainda transformar grupos de narcotraficantes em terroristas
quando quase em nada afetam a segurança econômica, é uma clara demonstração que
o imperialismo está sem rumo.
As
ameaças cotidianas de que irão invadir Cuba representa outra infantilidade política
e a repetição de erros que se repetem a mais de seis décadas. Os permanentes bloqueios
econômicos até o momento não fizeram surgir efeitos favoráveis ao imperialismo.
Logo, uma estratégia que a mais de sessenta anos não funcionou, revela estar
totalmente errada. A única esperança que os agressores poderiam alimentar para restabelecer
relações capitalistas com Cuba, seria capitalizando e não asfixiando aquele
país. O que impede que incendiários enxerguem isso é o Complexo de Heróstrato,
formado pelos instintos de vingança misturados à ansiedade de obterem fama.
A
força indestrutível contra as bombas e o fogo que carregam é a multipolaridade
internacional. As nações de uma só vez se levantam para dizer que não querem
mais ser reféns de um poder sanguinário, explorador, que passará para a
História como sendo o sistema que, em curto período de dois séculos promoveu a barbárie
mundial, mas foi contido e rebaixado. Isso acontecerá assim que a indústria armamentista
perder a importância, transformará os Estados Unidos em uma das economias mais
dependentes do mundo, isto porque, sem indústrias os Estados Unidos retornarão
à produção primária. Quando isso acontecer, os imigrantes sairão de lá por
conta própria e as cenas de humilhação das extradições deixarão de serem
vistas.
Por
trás das constantes bravatas se esconde o medo de perder a hegemonia
sanguinária da política internacional. O único produto que pode surgir do medo
são mais armas. No entanto, elas sozinhas não conseguem resolver os problemas da
perda da capacidade competitiva econômica. O máximo que a tecnologia
armamentista conseguirá será provocar estragos materiais, estes, porém, podem
ser concertados com as reconstruções, o que as armas não conseguem fazer é derrubar
a autoestima e a teimosia dos povos.
Ademar
Bogo
Nenhum comentário:
Postar um comentário