Como
não há mais palavras na língua portuguesa para explicar a política brasileira,
temos que inventá-las para dar algum sentido para a pouca inteligência que
forma a irracionalidade dos parlamentares que dirigirem nação. A sensação nas
ruas é que o parlamento foi tomado por uma maioria de mentecaptos que não
reconhecem os sinais apontadores da ética política.
O filósofo e advogado Marco Túlio
Cícero (63.a. C), perguntou: “Quem dará o título de homem a um monstro que não
reconhece comunidade de direitos para com os outros homens, nem laços que o
unam à humanidade?”.[1] O mesmo poderíamos fazer
hoje, quem chamaria de homens honestos aos deputados que fazem as leis em defesa
causas particulares? Se antes eram conhecidos como corruptos, já é pouco
chama-los assim, mas outros termos, como: clientelistas e favoritistas parece
que ofendem ainda menos. Talvez “monstros do Congresso”, identifique uma
espécie de mamíferos que só existe lá.
As coisas estão de fato
desreguladas. O certo parece que é o errado e o avesso o lado certo, ou, de
fato, já não temos mais referências. Imagine se em qualquer país, no futuro,
dois deputados abandonarem o parlamento porque cometeram crimes e fugiram do
País e, os seus pares ao invés de cassá-los e exigirem a prisão imediata,
aprovassem que eles poderão legislar de onde estiverem escondidos, recebendo os
altos salários, como se nada tivesse acontecido? O que dirão aquelas gerações?
Da mesma forma se uma deputada, fugitiva, julgada e condenada e presa na
Itália, também continuasse sendo sustentada pelas verbas públicas? Esta pelo
menos foi punida pelo Supremo Tribunal Federal com a declaração da perda do mandato.
Por outro lado, entra em cena no
linguajar político a “Dosimetria”. Poderíamos chamar de sistema de medida que
mede as penas. Ou seja, seria a Trena que mede a altura de um cidadão. Quando
encostado na parede, não há como negar, o que é, é. Mas no caso dos crimes, a
metragem é diferente: o que é pode não ser. O sistema agora inaugurado é tomar
o réu julgado e condenado e medi-lo duas vezes: a primeira em pé e a segunda
acocorado. Valeria a segunda, porque a primeira serviu apenas para identificar
o malfeitor.
Essa medida “Dosimétrica”, poderia
ser associada à infelicidade. Primeiro porque os infelizes seriam os condenados
que recebem a pena e, segundo a população que torceu para que permanecessem
presos, mas, de repente os “dosimetrados”, voltam às ruas para cometerem outros
crimes no mesmo ramo da profissão do golpismo. Mas, calma, isto não ocorre com
todos os presos, a revisão dosimétrica é um direito adquirido por aqueles que
não aceitam os resultados das eleições, quebram e destroem as instituições
públicas depois, é claro, de ficarem um tempo acampados em frente aos quarteis.
Os livros de História do Brasil
registram que Sebastião Ferreira de Paula, foi o preso político que mais tempo
ficou na cadeia, 18 anos. Isto aconteceu porque ele não foi anistiado em 1979,
por isso ficou 4 anos a mais que os outros que foram presos, torturados e
julgados e amargaram uma dezena de anos ou foram exilados. Agora, o chefe da
quadrilha militar que pegou 27 anos e três meses de prisão, em regime fechado,
no passar a régua da Dosimétrica, sairá em menos de três anos. Ou seja, quem
resiste a um golpe de Estado, tem a pena maior do que qualquer um que tenta dar
o golpe e fracassa. E nem adianta olhar para a cara do juiz que foi chamado de
canalha em praça pública, porque ele está junto para refazer as medidas.
Mas isto ainda é insuficiente para
os desmiolados fazedores de leis. Avançaram
também na aprovação ode outros benefícios escandalosos. Para evitar o trabalho
de prender e julgar um deputado que comete um crime, aplicar uma pena e depois,
pela Dosimetria desaplicar, estão preparando a emenda à Constituição, apelidada
de PEC da Blindagem ou da bandidagem, que vem a dar no mesmo. No que consiste?
Em poucas palavras, significa que um juiz pode mandar prender um deputado
criminoso, mas ele só será preso se os colegas dele concordarem. Caso
contrário, continuará no parlamento fazendo o que sempre fez: defender os
próprios interesses.
A Democracia Representativa é de
fato o corredor que leva ao totalitarismo. Depois de depositado o voto em favor
de um deputado, é como dinheiro perdido, quem achou finge que é dele e gastará
onde bem quiser.
Por outro lado, de fato entre a
Democracia e a ditadura é melhor ficar com a primeira, por que, sendo branco,
estudado, cabo eleitoral e amigo de políticos, com ela o sujeito pode desarrumar
a ordem, mas não apanha da policia e, se for preso, sai com o pagamento de uma
fiança; no entanto, se for preto, pobre, transgênero ou favelado, aí tanto faz
votar ou ser proibido de fazê-lo, pois os resultados são os mesmos.
Para terminar, na mesma noite em que
aprovaram a redução das penas para os golpistas, mantiveram os mandatos dos
dois deputados fugitivos do país, aprovaram a punição de seis meses de
suspensão ao Deputado do PSOL, Glauber Braga, por ter empurrado um provocador
nas imediações do Congresso Nacional”. Muitos consideram uma vitória e festejaram
a conquista. De certo pensaram; “fazer o que?”, a floresta foi incendiada, mas
a minha arvorezinha de estimação foi possível salvar.
Então é isso, continuemos disputando
o joio enquanto eles levam o trigo, os minérios e o petróleo embora. O império
ameaça invadir a Venezuela e não se ouve uma palavra daqueles que elogiam o
terrorista chefe maior do império, por ter recuado e tirado o Ministro
Alexandre de Moraes e a esposa da Lei Magnitski. É o agrado para que se
mantenha o silêncio e a neutralidade sobre a iminente invasão do país vizinho.
Ademar
Bogo
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